Reflexão do Dia
“A boa educação é cara, mas a má é ainda mais cara.” (Fernando Savater)
Postado por Equipe Viva Senior em 05/04/2016

“A boa educação é cara, mas a má é ainda mais cara.”

A frase acima, do professor e filósofo espanhol Fernando Savater, sintetiza sua cruzada pela valorização da educação pública de qualidade para o desenvolvimento dos países e para aprofundamento da democracia, tanto no aspecto político como no ético, social e econômico.

Savater ministrou aulas de Ética e de Filosofia Política na Universidade Complutense de Madri, por 30 anos e atualmente está aposentado.  Palestrou na Conferência Fronteiras do Pensamento, em São Paulo e afirmou que os professores, principalmente os da educação básica, são os baluartes da democracia, cujos maiores inimigos são a miséria e a ignorância. Por isso, é imprescindível formar cidadãos e, para isso não se inventou outra coisa que não seja a educação. Somos muitos e, ou dialogamos, ou a desgraça nos atingirá a todos em escala planetária.

Leia abaixo trechos da entrevista com Fernando Savater. Fonte: (Revista SER Médico CREMESP)

Educação contemporânea e democracia

Educação e democracia nascem juntas. A educação contemporânea foca essencialmente o aspecto técnico para boa formação de profissionais para o mercado de trabalho, negligenciando a formação de bons cidadãos. Não deveríamos nos satisfazer em formar apenas trabalhadores, que, não importa o nível, vão seguir a rotina do país e não sabem debater os objetivos da vida em comum. Não se trata da ignorância acadêmica – todos nós ignoramos muitas coisas – mas sim, da ignorância de não ser capaz de entender um texto escrito, além dos futebolísticos. Os ignorantes votam e decidem como os demais. Se eles são muito mais numerosos que as pessoas preparadas e educadas, encaminharão a vida social na direção da demagogia, vão colocar obstáculos às soluções necessárias sempre que implicam algum sacrifício e vão favorecer as desigualdades.

Violência como forma de expressão

“Todas as democracias contemporâneas vivem sob o temor permanente da influência dos ignorantes” (John Kenneth Galbraith).

A ignorância da qual falava Galbraith é a da falta do imprescindível para a relação política com os outros, ou seja, de quem não é capaz de entender uma argumentação inteligível que alguém lhe faça sobre propostas, propósitos ou necessidades. E uma vez que a democracia é baseada na capacidade dos cidadãos de persuadir e serem persuadidos, a falta de capacidade de expressão tende à violência. Ela é a reação dos que não sabem se expressar. Por isso, é preciso favorecer que todos tenham meios de expressão.

Objetivos do ensino na democracia

Como em uma democracia não sabemos qual é o lugar de cada um, cada pessoa precisa lutar para abrir caminhos e encontrar um lugar adequado à sua capacidade, criatividade ou ao que for. Portanto, é necessário educar as pessoas de uma maneira aberta para a vida. Por isso, o destino da democracia está intimamente ligado ao da educação.

Educação Ética

Há três conjuntos de virtudes essenciais que se deve tentar transmitir na educação ética: Coragem, Generosidade e Prudência.

Coragem ética para poder viver, pois se uma pessoa não é valente de nada vale suas outras virtudes, pois não saberá praticá-las.

Generosidade para poder conviver. Conviver sempre exige, de alguma forma, ceder. A convivência com os outros sempre é um pouco dolorosa e frustrante, pois nem sempre podemos fazer o que queremos. Temos de limitar os nossos desejos aos limites dos outros. É preciso generosidade para suportar os desejos alheios e para ajudar quem, de alguma forma, não pode superar suas próprias expectativas sociais e precisa de apoio.

Prudência para poder sobreviver, porque evidentemente,  a vida está cheia de armadilhas, dificuldades e riscos. Fazer o bem é, muitas vezes arriscado, e o martírio sem benefício, não serve para nada.

A boa educação é cara.

O papel da educação deve ser o de desenvolver o pensamento crítico. Não é verdade que todas as opiniões sejam respeitáveis, isso é uma mentira. Todas as pessoas devem ser respeitadas. As opiniões devem ser discutidas, ver se tem razões sólidas.

Não adianta termos a melhor educação para as elites e uma fast food para a maior parte da população. O problema é que boa educação para todos é cara. Os Estados estão cada vez mais negligentes nesse sentido porque é um enorme investimento, em longo prazo. E as pessoas que mais precisam dela são aquelas que não podem consegui-la por seus próprios meios. Mas se a boa educação é cara, a má é ainda mais cara.

Os países com mais chances de saírem das crises, são aqueles que investiram em boa educação. Por isso precisamos exigir dos políticos esse investimento. Se não forem cobrados, não o farão, principalmente porque o tempo da política é diferente do tempo da educação e nossas sociedades só notariam daqui 15 ou 20 anos. Portanto, somos nós cidadãos, os que temos de convencê-los da importância da educação. É nossa responsabilidade lembrá-los que eles poderão ser substituídos a cada nova eleição e que a sociedade vai continuar atuando.

Ética para os filhos

Ética é para quem tem religião e para quem não tem. E para se ter filhos é preciso tempo para educá-los, quem não tiver tempo, que não tenha filhos. Não é obrigatório. Filho é uma obra de arte, tem de ter tempo. Ter um filho é ter uma obrigação.

O papel do idoso na educação é  transmitir suas experiências positivas da vida de uma forma objetiva e esclarecedora aos mais jovens, incentivando-os a continuarem atuando como cidadãos éticos.

 

 

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